O cliente não é chato, seu projeto que pode ser mal defendido

Antes de mais nada gostaria de deixar claro, neste artigo abordarei design de marca, por ser minha principal especialização.

Desde que iniciei minha carreira como designer gráfico me deparo com a clássica reclamação dos meus colegas de profissão:

“Cliente é chato”, “Cliente só pede alteração”, “O cliente muda totalmente o projeto”, “Eu projeto uma coisa e o cliente vai lá e estraga tudo”, “O projeto está lindo, até o cliente por a mão”

Desde então, sempre me perguntava o que estava de fato errado com o mercado… Poxa, será que é tão difícil assim ter algo aprovado? Será que de fato nunca terei um projeto aprovado na primeira apresentação?

Durante minha vida acadêmica passei por situações curiosas, onde a maioria dos projetos que fazia não tinham grandes observações de meus professores, tampouco grandes perguntas ou se quer detalhes recusados. Comecei a pensar que isso era reflexo do formato de desenvolvimento do projeto em si, pois, no decorrer da semana, mês ou até mesmo semestre, tinha constantes instruções e orientações dos professores quanto aquele projeto, meio que não tinha como ele dar errado. Mas uma hora isso teria que mudar, teria que fazer algo real, para um cliente real e aí seria o momento que saberia se no mundo lá fora, as coisas são realmente como costumam dizer.

Chegou então o grande momento, consegui ser contratado por uma empresa (de um amigo, porém real) para fazer o  redesign de sua marca. O projeto iniciou-se normalmente, briefing, pesquisa, conceituação, braninstorm, roughs, filtro, seleção, digitalização, finalização e por fim… Apresentação… e Adivinha? Sim, aprovado na primeira apresentação, sem alterações, sem detalhes a se observar, sem pitacos, sem “assim não ficaria melhor?”.

Com o decorrer da minha vida profissional (mesmo não sendo décadas) ja fiz muitas marcas e por incrível que pareça, posso contar nos dedos de uma única mão os projetos que foram recusados, e posso contar nos dedos de duas mãos quantos projetos tiveram pequenas observações, acrescento ainda que, por mais ambicioso que possa parecer, cerca de 98% de todos os meus projetos de marca foram aprovados de imediato.

Foi quando percebi que o meu formato de apresentação, seguia ainda o mesmo que usava na faculdade, um formato que já esclarecia as duvidas do ouvinte (seja ele professor ou cliente) antes mesmo delas surgirem, este fator fazia com que o projeto fosse tão “Redondo” que ele simplesmente não conseguia dizer “Não”.

Mas então…A apresentação é a magica de tudo… Esteja o projeto funcionando ou não?!

Não necessáriamente,  a apresentação conta… muito… muito mesmo! Mas não é o unico fator que faz com que seu projeto não possa ser recusado e tentarei de forma bem objetiva listar abaixo o que pode ser os principais fatores que fazem os meus projetos serem aprovados quase sempre de imediato.

1 – Metodologia

Pois é, quem nunca ouviu essa palavra não é mesmo? Mas que diabos é metodologia? – Nada mais é do que o método que você utliza para botar seu projeto para funcionar, não existe receita, mas o importante é ter alguma metodologia, seja sua, seja inspirada em um grande profissional que conhece, ou a que você aprendeu na faculdade. No meu caso eu utilizo um mix do que aprendi na faculdade + o que aprendi na pós-graduação + métodos meus. Isso faz eu seguir um padrão de desenvolvimento fixo, que fará com que raramente meu projeto fuja desta “rotina”,  me dando total controle de cada etapa a ser executada, o que nos leva para o item 2.

2 – Gestão do Tempo

Gerir o tempo é precioso para que o projeto saia redondo… No meu caso como utilizo parte da metodologia aplicada na faculdade, tive que adequar muita coisa para consumir corretamente meu tempo, pois, na faculdade era comum ter prazos gigantescos, um semestre muitas vezes, cosa que no mundo real definitivamente não existe. Com uma má gestão de tempo, você perde muito trabalho em uma etapa única e quando menos vê, já está trabalhando na Dead Line… Por isso, gerir o tempo para fazer com que tudo saia nos seus conformes é primordial.

3 – Seja resistente quanto ao choro do cliente

Quando falamos de tempo será normal nos depararmos com “poxa, não dá pra ser mais rápido?”  ou “Cara, não posso esperar esse tempo todo”. Para isso tenha uma carta na sua manga, trabalhe sempre com seus prazos “confortáveis”, sim os mais adequados ao projeto, jogue no cliente a famosa “gordurinha”, na hora do choro, o tempo que você conseguirá negociar no final das contas será o prazo ideal. Na pior das hipóteses, o cliente irá chorar mais e você trabalhará com o seu pazo mínimo. Mas é importante ser resistente e não ultrapassar este tempo mínimo, explique para o cliente que, fora deste prazo o projeto já não ficará legal e pode inclusive não funcionar.

4 – Pesquise, pesquise MUITO

Particularmente em minha metodologia, eu dedico cerca de 1/3 do prazo somente para pesquisa, e cerca de 1/6 do prazo para conceituação. Isso se dá a um motivo simples, eu me dedico a conhecer muito bem tudo sobre o cliente e seu ramo de trabalho (ou pelo menos o máximo que conseguir). Isso por que na hora da conceituação eu realmente saberei do que estou falando, o por que usei tal elemento e por que concorrentes usam tal fórmula, isso já será um ponto grandioso para o desenvolvimento.

5 – Desenvolva para seu cliente, não para você

A pior coisa que um desinger pode fazer é desenvolver projeto para si mesmo, sim, como estamos falando de design de marca, podemos enquadrar este quesito quando o designer quer “Fazer do seu jeito, com coisas que gosta”. NÃO! Isso está muito errado! Sempre desenvolva para o que o seu cliente precisa, acima de tudo!!!
Certa vez, desenvolvi uma marca de arquitetura que de acordo com o briefing deveria ser arrojada, alegre e viva… Como eu tinha um “sonho” de fazer um dia uma marca dinâmica e modular, uma marca que pudesse se “montar” de várias formas sem perder a identidade… Semelhante ao que é a marca o MIT Media Lab. Foi então que pensei “Esta será a minha chance, vou montar a marca mais louca e dinamica ever!”… Adivinha? Este é um dos projetos que são calssificados como recusados. Eu cometi a grande falha de fazer o que eu queria no projeto, e não o que era certo, o que resultou em um projeto ruim seguido das lindas palavras “OLHA NÃO GOSTEI, NÃO É O QUE ME REPRESENTA, NÃO TEM NADA A VER COM O QUE QUEIRA”.

6 – Apresentação

Na hora de apresentar seu projeto, não tenha medo em tomar tempo do seu cliente, faça uma apresentação bem estruturada e mostre o quão trabalhoso foi fazer aquele layout, mostre que aquilo é um projeto e não somente um monte de formas em uma folha branca.
Muitos cliente (a maioria) não tem a concepção de que um projeto de design se dá como projeto de fato e apenas o vêem como um “desenho”, mostrar para o cliente que tudo foi estudado, trabalhado e conceituado, é essencial para uma boa apresentação.
Mostre absolutamente tudo, pesquisa, conceito, referências, estrutura, processo criativo e se possível até mesmo grids e linhas guias para a construção da marca ou peça em questão.
Se assim desejar mostre inclusive roughs descartados por você mesmo, mas não esqueça de falar o motivo de descartá-los.
Apresente o por que seu projeto funciona, tente identificar quais serão as possíveis dúvidas e já as esclareça antes mesmo do cliente perguntar.
Use exemplos de marcas grandes e tenha uma apresentação com apelo emocional grande.
Mockups e simulações em 3D são uma ótima ideia para que seu projeto seja mais “tangível” e o cliente consiga ter a mesma concepção que você teve no momento da criação.

É óbvio que, sem todos os passos anteriores eu não conseguiria defender com tanta força os meus projetos, eu preciso de um projeto conceituado, bem gerido, com bom conteúdo, bem construído e que atende bem as necessidades do cliente. Por tanto, posso dizer que, a boa apresentação e um projeto bem funcional são as duas principais chaves do bom design, porém, isso só é possível com uma boa metodologia, gestão e principalmente, pesquisa.

Por fim, fecho este pequeno grande artigo deixando bem claro que, não sou um designer perfeito, e tenho sim projetos em outras áreas como embalagem ou editorial que ja foram sim recusados, mas como tenho vasta experiência com design de marca, posso afirmar que estes foram os principais fatores que fizeram com que os MEUS PROJETOS fossem aprovados de imediato… Pode ser que funciona para você… Pode ser que não… Acima de tudo meu objetivo não é ser o Designer da verdade, mas apenas compartilhar a minha opinião e experiência que ja vivi com meus clientes.

E você, o que acha que pode ser fator para um projeto ser recusado? e para ser aprovado?

Comenta ai!!!! Até mais! 😉

Este post foi escrito por AkiraKawazoe

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