Não seja hostil, todo Designer já foi sobrinho

Sim! sobrinho, eu, você, seus professores da faculdade e até mesmo Alexandre Wolner um dia já foi sobrinho. Ficou surpreso? Não aceita? É melhor começar a aceitar, pois é a mais pura verdade.

Antes de mais nada vamos deixar uma coisa bem clara aqui, não estarei usando o termo “Sobrinho” de forma pejorativa, por tanto, toda vez que você ver a palavra sobrinho aqui neste artigo, leia “iniciante, amador, aventureiro”. OK? Estando entendidos vamos la para o assunto em si!

Sobrinho, ta aí um termo que eu tenho certeza que você já usou, e usou para xingar bem provavelmente, “Pow, aquele cara fez um trabalho de sobrinho” ou quem sabe “ah fulano de tal é só um sobrinho e pegou um job bom”. Pois é, este termo surgiu no nosso cotidiano, uma analogia a injustiça do mercado que pende para o lado de um “profissional” não especializado, que muitas vezes cobra mais barato que você e, infelizmente, acaba pegando o job que você queria pegar. “Mas você cobra tudo isso para fazer meu logo? meu sobrinho faz por R$20,00 e ainda faz em um dia só”. Esse é o motivo de tanto ódio por esses caras que nós muito sutilmente chamamos de sobrinhos. Mas vem cá, eles são mesmo uma ameaça a você? até onde ele te atrapalha? Qual sua postura perante eles? É exatamente sobre isso, que iremos conversar 🙂

O mercado do Designer e o mercado do Sobrinho

Ok, vamos lá! Podemos começar a podar esse ódio todo abordando primeiramente o principal de nossas profissões, o tão temido MERCADO, até onde podemos afirmar que o sobrinho trabalha com exatamente o mesmo mercado que nós? acredito que bem pouco! “Ah, mas tanto eu como ele trabalha no mercado criativo”. Ok, eu concordo, mas vamos pensar um pouco mais fora da caixa? (Essa é nossa função não é?) Se definirmos o mercado simplesmente por “MERCADO CRIATIVO” devemos torcer o nariz primeiramente para uma série de outros profissionais que trabalham em áreas bem distintas a nossa mas mesmo assim trabalham no mesmo mercado, o arquiteto, o designer de interiores, o artista plástico, o compositor, o cineasta, o ator e muitas outras áreas que eu sinceramente nem sei que existe trabalham dentro do mercado que podemos chamar de mercado criativo, e nem por isso eles nos incomodam tanto quanto um sobrinho.

Ah! Mas o sobrinho trabalha exatamente no mesmo local do mercado que nós “Designers profissionais”. Concordo! Mas que tal ser um pouco mais criterioso quanto a tudo isso? Nós “Designers Profissionais” ou pelo menos a maioria de nós trabalhamos em posicionamentos específicos, ou estamos dentro de uma agência, ou estamos dentro do setor criativo dentro de uma empresa ou estamos trabalhando por conta própria, cá entre nós um sobrinho NUNCA entraria em uma agência (pelo menos não uma que foca em qualidade), o sobrinho raramente será do setor criativo de uma empresa e por muitas vezes quando freela, ele não se equipara formalmente como um designer profissional freela, como com CNJP aberto, emissão de notas, contrato formal, reuniões e etc. Sabemos muito bem que o sobrinho costuma trabalhar na indicação, com acordos feitos “boca-a-boca” e muitas das vezes apenas com conhecidos ou parceiros.

Agora vamos lá, é serio que você trabalha em um mercado tão informal assim? Se sim, busque se formalizar mais, pois é importante e te colocará em um nível acima, além de te dar mais credibilidade e mostrar que você tem justamente aquele “algo a mais” que o sobrinho (ou a maioria deles) não oferece. Lembre-se jamais trabalhe no informal, pro seu amigo, pro seu tio, pro seu colega de trabalho, vizinho, tiozinho da venda da esquinha ou pra sua mãe, o designer tem de ser formal e mostrar que é tão profissional quanto qualquer outro profissional existente no mercado.

Em resumo, vale ressaltar, o mercado do sobrinho não é o mesmo que o seu, a menos que você queira se colocar em um nível de mercado semelhante ao mercado “sobrinho”.

O Público alvo

Publico alvo é outra questão muito importante na hora de saber se diferenciar como “designer profissional”. Saiba escolhe-lo, o bom design como todos nós sabemos custa caro, e não adianta oferecer o seu bom design para um cliente que obviamente não pagara o preço do bom design e na realidade pagará o preço do design “sobrinho”.

Casualmente como já citado no capítulo “mercado” do sobrinho costuma ser mais informal, muitas vezes tratados apenas com amigos, conhecidos ou colegas, isso consquentemente leva a aquele valor mais “camarada” ou seja, relativamente mais baixo e, como já citado no mesmo capitulo, o designer bom ou “profissional” nunca deve trabalhar de maneira informal, consequentemente, irá trabalhar com fatores que agregam mais gastos, logo mais valor ao seu produto final.

Isso não indica que um sobrinho cobra barato por não ter custo nenhum, tão pouco que um designer bom deve cobrar caro, esta é apenas uma citação sobre o que é mais comum presenciarmos, mas nada impede de um sobrinho cobrar um valor mais alto pelo seu trabalho ou um designer freela ou informal cobrar um preço mais baixo devido a alguma certa oportunidade.

Em resumo é importante saber escolher o cliente para quem quer oferecer seu serviço, um cliente certo que queira trabalhar de maneira mais formal já sabe que a formalidade e a burocracia não custam barato, já tem total ciencia que está tratando com um profissional e sabe muito bem que o profissionalismo custa caro. E não, este clinte nunca, ou bem raramente contratará um trabaho “amador ou informal”.

Saiba precificar seu projeto

Este assunto está diretamente atrelado ao assunto anterior, a precificação e o publico alvo andam de mãos dadas, afinal, quando se escolhe o publico ideal, pode se cobrar o ideal, mas, no capitulo anterior foi abordado o aumento do preço do projeto por conta da formalização, burocracia e profissionalismo, aqui a questão está mais em “Valorizar” o trabalho que se faz.

Saiba acima de tudo que seu trabalho não custa apenas as horas gasatas no seu home office ou agência, seu trabalho não custa somente as horas de luz, água, internet e trabalho que este projeto consome, mas custa também tudo que sua bagagem carrega, o seu curso profissionalizante, os livros que você comprou, os softwares que você licenciou, o computador que você comprou, as pilhas do seu mouse e claro, o curso superior que você arduamente concluiu. Todos estes fatores agregam no valor do seu projeto e você deve sim cobrar o necessário e o ideal.

“Mas eu devo ser flexível quanto ao meu valor, ou devo sempre focar em me manter sólido quanto ao meu preço?” – Calma, esse assunto abordaremos em breve, quando estiver online clique aqui.

Sabemos que na maioria das vezes o sobrinho acaba não tendo a noção teória das coisa, muitas vezes não adentrou no mundo acadêmico da área, as vezes tem apenas um conhecimento em softwares, porem não em técnicas e metodologias, e muitas vezes (por falta de orientação) não tem noção de como precificar seu projeto, eis mais uma consequencia para o barateamento de seu trabalho.

Mas não é o seu caso, acima de tudo você tem conhecimento de tudo que lhe custou para ser o designer que é, por tanto, cobre o quanto seu esforço vale.

Estes pontos, seleção de mercado, de público e de preço são os 3 principais fatores que separarão o seu bom design do design “sobrinho” e se corretamente administrado por você, raramente você se sentirá incomodado por essa tal “concorrencia” e mais raramente ainda se sentira “injustiçado pela profissão”. Mas, nem tudo são mar de rosas, e existem sim fatores que valem como puxão de orelha.

Seu diploma não te faz menos sobrinho

Essa dói eu sei, mas é a mais pura verdade, muitos profissionais por ai batem no peito e gritam “eu tenho diplomaaaa” (leia isso com a voz do He-man), mas na real não se passam de sobrinhos formados. Não é incomum ver por ai pseudos profissionais abordando outros profissionais com seu diploma universitário colado na testa alegando não precisar de uma outra opinião pois, uma vez formado passa a ser o dono da razão.

Compreendo que é necessário defender o próprio projeto mas acreditar que não é mais preciso aprender? Nós profissionais precisamos estar em constante aprendizado e negar isso te coloca no exato mesmo posto que um sobrinho, porém em um nível pior, pois uma vez que é formado, já deveria ter consicência de tal fator.

Além é calaro de vários “designers” que simplesmente ignoram tudo que aprenderam e não dão valor para toda teoria que viu durante seu curso superior, cometendo erro de linguagem visual, de composição, de cor, tipografia e outros. Acredito que este seja justamente aquele citado acima que “se formou para oficializar o título”.

Não hostilize, você já foi sobrinho, colabore, é melhor para você, ele e o mercado cirativo como um todo

Técnicamente falando você apenas passou a ser designer no dia que pegou seu diploma… “Nossa Akira, você fala para não hostilizar mas está sendo hostil, eu sempre trabalhei com design, mesmo antes da faculdade”. Que legal meu amigo (a), mas infelizmente você não era designer ainda, por mais que possa ter aprendido muita coisa na agencia onde conseguiu um estágio por exemplo. Falar que a faculdade não agregou nada a você como designer, ou que se formou apenas para “oficializar seu título” com todo respeito, você está desvalorizando mais sua profissão que o próprio sobrinho.

Todo bom designer um dia foi um amador ou “sobrinho”, sim, todos nós já nos encontramos aventurando-nos meio aos Photoshop’s 7 e 8.0 ou Macromedia Freehand (quem conheceu este está de parabéns), mas cá entre nós, você não era um profissional, tão pouco tinha noção de teorias como Semiótica, linguagem visual, programação visual, psicologia das cores e etc. Você ia no “olhometro” e fazia tudo pelo puro gosto, mas… em um certo momento alguém ou algo tocou sua mente e trouxe o insight de “Preciso estudar isso” e com grandes poderes vieram grandes responsabilidades, logo você se tornou o todo poderoso designer, esqueceu totalmente o seu passado e passou a hostilizar o amador que você foi um dia… Que péssimo exemplo ein!!!!

Não seja esse cara, colabore com iniciantes da área, se eles fazem trabalhos ruins, ajude-os, mostre como podem melhorar, não entre nos grupos de redes sociais a fora (de design, claro) e comente “nossa que trabalho merda”, ou pior, não desmotive uma pessoa que apenas está se aventurando no Photoshop, (desta vez CC 2016) assim como um dia você se aventurou, não zombe de pessoas que cobram barato, mostre o por que que eles devem cobrar mais caro, não crie inimizades com aqueles que te veem como espelho profissional.

Incentive esses “sobrinhos” a estudarem, a buscarem se aperfeiçoar, assim nós faremos com que o mercado se torne menos amador e mais profissional, consequentemente o valor do mercado vai cada vez aumentando mais e uma hora ou outra, o valor piso de nossa profissão estará mais alto, os clientes mais conscientizados e a concorrencia menos injusta, obviamente, os sobrinhos não acabarão por completo, mas com certeza a colaboração de todos os profissionais podem sim tornar o mercado cada vez mais saudável para eu, você, outros colegas e até mesmo os sobrinhos

Em resumo, podemos dizer que os sobrinhos não são uma real “ameaça” para nós designers, mas apenas uma pequena pedra em “nosso caminho”, porém não devemos apenas arrancá-la de nossa frente e jogar para fora da estrada, mas sim dentro do possível ir carregando-a conosco, para que lá na frente todos nós contruamos um belo muro chamado “Mercado criativo”. (isso foi poético eu sei, achei lindo… kkk)

E é isso pessoal, espero que tenham gostado, um dia (Não hoje pois o artigo já está gigante) irei falar da minha transição de sobrinho para designer). E você como foi essa evolução? comenta ai! 😉

Este post foi escrito por AkiraKawazoe

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