Portfólio, o que uma agência quer ver?

Decidi fazer este pequeno texto devido a um mes um tanto quanto turbulento que acabei vivendo na dB. Devido a uma certa demanda de trabalho decidimos por contratar um novo estágiário, e após praticamente 1 mês de recrutamenteo e duas semanas de entrevistas eu me deparei com alguns estudantes que deixavam a desejar quanto ao conteúdo apresentado.

Antes de mais nada gostaria de deixar claro que não vou expor de forma alguma qualquer tipo de resultado individual de algum candidato à vaga, seja este aprovado ou recusado, não vou expor também a qual tipo de entrevista ou teste este foi submetido e muito menos linkar qualquer tipo de exemplo de portfólio ou material similar. Estamos entendidos? Sim? então bora para o textão.

Algo que aconteceu e de certa forma me deixou triste foi ver que, muitos dos profissionais (sim, mesmo estudante eu ja os considero profissionais) tinham grande potencial de trabalho, muitas vezes tinham até uma bagagem legal, porém não sabiam mostrar isso para o exterior, pensando nisso resolvi listar a baixo dicas para você não errar mais na apresentação do seu portfólio para uma agência e em especial para um diretor de arte.

1 – Tenha um portfólio

Parece óbvio mas não é. Uma coisa que percebi é que ao menos 50% dos interessados na vaga (os que enviaram currículo) não tinham portfólio, fora estes, posso dizer que ao menos 30% dos intrevistados também não tinham, ou se tinham era um portfólio muito limitado, que mostrava pouco ou nada do potencial do candidato. Então, tenha um portfólio, costumo brincar até que o portfólio para um designer é mais umportante que o seu Currículo, pois as vezes para uma agência mais importa você ser realmente bom do que ter um milhão de cursos diferentes e não mostrar resultado algum. Por tanto, TENHA O SEU PORTFÓLIO, mostre seu trabalho e mostre o que você faz de melhor.

2 – Saiba escolher uma plataforma

Hoje nós temos diversas plataformas de portfólio online para diversos públicos diferentes, Pinterest, Behance, Flickr, YouTube, Muse Catallist, Instagram e até mesmo um website construido por si mesmo. A escolha desta plataforma depende muito do que você faz, e com qual plataforma você se identifica mais, já ouvi dizer inclusive que “o designer é obrigado a ter um Behance”. Eu particularmente discordo, pois o que importa não é você ter ou não um perfil no Behance, o que importa de verdade  é você ter domínio da plataforma que escolheu e acima de tudo fazer uma apresentação boa do seu trabalho.

Algo que foi muito vivido por mim neste mês de recrutamento, foi receber porfólios em plataformas que a pessoa pode não ter total domínio, como por exemplo querer fazer um website pessoal, mas, por não ter conhecimento na área de web optou por alguma plataforma como Wix ou similar. Um conselho que deixo é, apenas faça um site se de fato você conhece a área, não tente usar plataformas extremamente limitadas para criar algo que em teoria tem mais status (um site tem mais status que um perfil no behance). Caso Não saiba, opte pela plataforma que conhece, acredite, a agência dá mais valor para o seu trabalho bem feito do que uma tentativa de impressionar.

3 – Portfólio impresso

Não é crime você optar por não usar uma plataforma online e escolher usar o tradicional portfólio impresso, claro que, este é muito mais caro para ser produzido, e difícil de ser atualizado, mas… é uma opção e se o profissional se adapta melhor com este, tudo bem! Como eu disse, use aquele com qual você mais se identifica.

Uma dica valiosa para quem opta pelo impresso é: Faça seu portfólio com um material bonito (nada de um monte de A4 soltas dentro de uma pasta), além disso tenha um visual bacana, o fato de ser impresso não te obriga a usar uma folha branca com o trabalho no centro, diagrame, se não trabalha com diagramação procure alguém que possa te ajudar, faça algo bonito que agrade visualmente e convença o intrevistador a olhar todo conteúdo.

Outra dica é, informe ao recrutador que seu portfólio é impresso, e solicite uma oportunidade de mostrá-lo. Caso o mesmo assim deseje, ele pode pedir fotos, ou prints do mesmo, caso não ele provavelmente irá autorizar a sua vinda à agência. Vale lembrar que, eventualmente o diretor de arte ou responsável pode solicitar ficar com o meso, para uma analisada com mais calma, por tanto tenha cópias deste ou tenha em mente que você pode ficar um tempo sem ele em mãos.

3 – Tenha conteúdo

Este é outro fator óbvio mas que não é seguido, tenha conteúdo no seu portfólio.

“Mas Akira eu ainda estou estudando, e nunca fiz um trabalho real para nenhum cliente.”

Isso não é desculpa para seu portfólio ser vazio, quantos trabalhos você ja fez na faculdade? quantas vezes você ja se pegou praticando o que você estuda? isso também é trabalho seu e também pode ser incluso no seu portfólio. Vale lebrar que a agência quer ver o seu trabalho, não necessariamente pra quem você trabalhou, até por que, muitas vezes o recrutador pode nem se quer conhecer aquele cliente.

Outro conteúdo que vale a pena trabalhar são conteúdos “treino”, um redesign de uma marca grande, a rediagramação de uma famosa revista, o tratamento de fotos de modelos famosas, fã arts de posteres de filmes, por que não? o que importa é mostrar sua habilidade.

Vale apenas informar que aquele conteúdo é fictício e que não se passa de um treino ou trabalho de faculdade. Acredite o intrevistador não te achará pior ou melhor por isso.

4 – Saiba escolher os seus trabalhos

Indo de contra mão com a dica anterior, esta vai para aqueles que fazem do seu portfólio a estação da Sé as 17:00. (Para quem Não é de SP, isso significa superlotação).

Não um portfólio não precisa ter absolutamente TODOS OS TRABALHOS QUE JA FIZ NA VIDA. Isso faz com que o recrutador fique cansado de ver aquele conteúdo, e muitas vezes pode deixar de lado aquele projeto chave que faria sua contratação ser efetivada.

Trabalhe com um número médio de projetos, de 8 a 12 projetos é o bastante, selecione aqueles dos quais você mais se orgulha, e separe-os por categorias, marca, site, cartazes… Se preferir trabalhar com uma só categoria separe-os por qualidade visual.

Sempre busque abrir o seu portfólio com o trabalho mais recente, seguido pelo trabalho que você considera melhor, siga com os medianos e feche com um outro trabalho que considera tão bom quanto o melhor. Por tanto, se eu fosse classificar a ordem perfeita eu diria que é:

Seu trabalho mais recente | Seu melhor trabalho | de 5 a 9 trabalhos bons | Seu segundo melhor trabalho.

5 – Atualize sempre que possível

Sei muito bem que é dificil atualizar o portfólio com frequencia, montar uma apresentação, organizar arquivos, blá blá blá… Mas conforme dito acima, eu aconselho que o primeiro trabalho do portfólio seja o seu mais recente, por tanto busque sempre que possível atualizar este primeiro trabalho e eventualmente substituir alguns intermediários, isso fará com que seu portfólio seja dinâmico e o diretor de arte que viu ele hoje mas não te contratou, pode vê-lo amanha e notar que você é um profissional ativo e sempre se esforçando.

6 – Português e termos técnicos

Eventuamente um erro de digitação é comum, mas deve ser evitado mas tenha muito cuidado com erros de português literalmente… Erros de concordância, erros verbais, palavras escritas literalmente erradas são fatores que praticamente irão anular sua contratação.

Além destes fatores termos técnicos são super importantes, “Logomarca”, “Letrinha”, “Artezinha” são termos que são difíceis de serem engolidos, lembre-se você está tratando com um profissional, falar como outro profissional é sempre bem-vindo.

7 -NUNCA MINTA

Sabe aquelas barrinhas ou infográficos mostrando as suas mirabolantes habilidades em determinadas áreas?

Photoshop 98%
Illustrator 80%
InDesign 60%
Fotografia 150%
Branding 100%

Ahhhhhh essas barrinhas…. Acredito que 90% dos Portfólios que recebi tinham essas barrinhas. O principal problema, é que na maior parte das vezes elas não eram sinceras.

Não minta, não diga que você tem 98% de conhecimento em determinada ferramenta se você não tiver de fato. Seja sincero, modesto e acima de tudo transparente, lembre-se você está mandando seus trabalhos para uma análise, a sua “porcentagem” de domínio nas ferramentas está nítida na qualidade do seu trabalho e não nas lindas barrinhas do seu portfólio.

É válido sim informar com quais ferramentas você se adapta melhor, ou tem mais afinidade mas não há necessidade de escalonar essa afinidade muito menos mentir. Se ainda sim quiser fazer um infográfico com sua habilidade, peça ajuda de outro profissional (de preferência mais experiente) e deixe ele determinar sua porcentagem, assim tudo será mais transparente e sincero.

E é isso pessoal! Espero que de forma alguma você se sinta ofendido ou pressionado com essas infos. Aliás se você for um dos entrevistados que passou pela dB e Não foi contratado, te desejo antes de mais nada um parabéns pelo seu trabalho e deixo uma dica extra: ESTUDE E EVOLUA CADA VEZ MAIS!

Saiba que esse texto não foi para te minimizar tão pouco para rebaixar o seu trabalho, mas apenas para de dar uma luz em o que você possa ter deixado pendente, assim você pode ir lá, arrumar esse detalhe e claro, tentar novamente, seja aqui na dB ou em qualquer outra agência do mundo.

Acima de tudo, boa sorte e sucesso!

E você, meu amigo designer, já cometeu alguns dos erros acima? Como está seu port hoje? Deixa ele aí nos comentários!

Um abraço e até mais!

 

Este post foi escrito por AkiraKawazoe

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